Agronegócio

Guerra comercial e mudança de hábitos de consumo abrem espaço para o agro brasileiro

Especialistas debateram desafios e oportunidades para o agronegócio sul-americano durante o 7º Fórum de Agricultura da América do Sul, que acontece nessa quinta (5) e sexta-feira (6) em Curitiba

Com a expectativa de intensificação das disputas comerciais nos próximos anos no mercado mundial, o agronegócio sul-americano precisa se preparar e enxergar as oportunidades e desafios deste um cenário em constante mutação. O tema esteve em debate, por especialistas em comércio exterior, durante a manhã desta quinta-feira (5), no 7º Fórum de Agricultura da América do Sul, que acontece em Curitiba (PR) no Museu Oscar Niemeyer, até amanhã (6).

Desde agosto, por exemplo, a China suspendeu a compra de frango dos Estados Unidos. A medida implementada, reflexo da guerra comercial entre os países, pode ser uma oportunidade para o Brasil ampliar suas participações nas exportações da proteína animal para o país asiático. Com as barreiras tarifárias americanas e o avanço da peste suína em algumas regiões, o diretor de inteligência de mercado na INTL FCStone Intelligence, Renato Rasmussen, acredita no potencial brasileiro para ser principal fornecedor chinês. “Temos condições para transportar esses produtos e os preços já vem reagindo a essas condições”, comentou.

Para a diretora executiva do CME Group, Susan Sutherland, que também participou do debate, é necessário encarar as incertezas do mercado de forma mais madura. “O mercado é desafiador e devemos estar cientes que o valor das movimentações futuras e opções podem mudar dependendo de eventos naturais e geopolíticos”, afirmou. Susan ainda acrescentou que em relação guerra comercial, 71% dos chineses não acreditam que será resolvida a curto prazo, contra 29% otimistas. O painel foi mediado pelo Coordenador Geral de Acesso a Mercado do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Gustavo Cupertino.

As soluções e o impacto destes atritos foram discutidos na Conferência da Organização Mundial do Comércio, conduzida pelo diretor da Divisão Agrícola e de Commodities da entidade, Edwini Kessie, que defendeu a necessidade do fortalecimento da Organização, passando por sua reformulação. “Precisamos nos reinventar de uma forma mais pró ativa, países estão assinando acordos bilaterais devido à frustração que eles tem com a OMC”, afirmou. Para Kessie, essa reformulação é essencial para que os sistemas multilaterais sejam mais efetivos. A conferência foi mediada pelo especialista em comércio exterior Fábio Carneiro Cunha, da Legex Consultoria.

Indústria

O futuro da indústria alimentar também é uma das preocupações do setor. Para o coordenador de negócios do Instituto de Tecnologia do Senai, Alcides Sperotto, as mudanças nos hábitos de consumo e o aumento populacional são fatores predominantes na discussão. “O principal desafio é gerar alimento e o mundo está de olho no Brasil. A ideia é começarmos a colocarmos mais pesquisa e tecnologia no alimento, aumentando seu valor agregado, financeiro e nutricional” afirmou na palestra “O Desafio Interdisciplinar de Abastecimento”, com participação do diretor executivo da Frimesa, Elias Zydeck, e mediação do superintendente do Sistema OCB, Renato Nobili.

É importante que a indústria também esteja de olho no mercado árabe, que tem sido um importante potencial de oportunidades para o setor de proteína animal brasileiro. O Brasil é hoje o maior exportador mundial de proteínas animais para o mercado muçulmano, respondendo por 52% da carne halal enviada aos países islâmicos. Para o diretor-geral do Cdial Halal, Ali Saifi, esse é o momento de entender as peculiaridades desse mercado para que o setor de aves, bovinos e suínos continue a crescer e se desenvolver. Para o debate, estiveram presentes também o secretário adjunto do Mapa, Fernando Augusto P. Mendes, e o Secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara.

Abertura

Durante a abertura, foi debatida a importância da divulgação e promoção das formas sustentáveis de produção do agronegócio brasileiro. Sobre o Paraná, estado que sedia o evento, o vice-governador, Darci Piana, reforçou a responsabilidade da região em alimentar a população mundial. “Somos o estado com a maior produção diversificada por m² do mundo inteiro”, disse. Segundo o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, na cidade, as ações do setor estão dentro da ideia de cooperação e segurança alimentar e nutricional.

Participaram da cerimônia ainda o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Ricardo Rocha, o diretor da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Virgílio Moreira Filho, representando o presidente da federação Edson Campagnolo, e o superintendente do Sistema OCB, Renato Nobre. O evento continua até amanhã (6), em pauta estão temas como logística, inovação e sustentabilidade.

Serviço:

7º Fórum de Agricultura da América do Sul – “Da Produção ao Mercado – Global e Sustentável”
Data: 
05 e 06 de setembro de 2019
Local: Museu Oscar Niemeyer (MON)
Endereço: Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico – Curitiba (PR)
Inscrições: www.agrooutlook.com.br

Sobre o Fórum de Agricultura da América do Sul

O 7º Fórum de Agricultura da América do Sul (Agricultural Outlook Forum South America 2019). O projeto piloto do Fórum foi realizado em 2013 e levou para Foz do Iguaçu (PR) mais de 500 inscritos para discutir os desafios e oportunidades do agronegócio global a partir da realidade sul-americana. Desde então, o evento reúne anualmente especialistas e participantes de todo o mundo, trazendo à pauta assuntos como inovação e sustentabilidade, desenvolvimento urbano pela economia rural e sucessão no campo. Em 2019, o evento tem como tema “Da Produção ao Mercado – Global e Sustentável”.

Realizado pelo Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo (AgroGP), o evento tem parceria/apoio dos Sistema Ocepar e OCB, Prefeitura de Curitiba, Sistema Confea-Crea, Sistema Fiep, CME Group, Sanepar, Copel e Conselho Agropecuário do Sul .

Foto Gazeta do povo

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