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Resenha de Cinema pela psicanalista Eleonora Rosset

“Em busca da Terra do nunca” – Finding Neverland, Estados Unidos, Reino Unido, 2004

Direção Marc Foster

O grande público conheceu o personagem Peter Pan através da animação dos estúdios Disney em 1953, que encantou todo mundo. Lá havia o menino que não queria crescer e voava, as crianças da família inglesa que ele levava para a Terra do Nunca, o Capitão Gancho, a fada Sininho, piratas e índios, os meninos perdidos e o crocodilo que engoliu um relógio, sem esquecer do pó de pirlimpimpim. Tudo isso, na verdade, era a história de uma peça escrita pelo autor teatral escocês, James Matthew Barrie (1860- 1937), ”Peter Pan”, que fez sucesso desde a estreia em Londres em 1904.

A última peça de Barrie tinha sido um fracasso, o que fez o autor ouvir reclamações do produtor interpretado no filme por um ótimo Dustin Hoffman. Deprimido e também para afastar-se de sua esposa Mary (Radha Mitchell), que não o compreendia, leva seu cachorro para passear nos jardins de Kensington e lá se aproxima, por acaso, dos quatro filhos de Sylvia Llewellyn Davies (Kate Winslet), que serviriam de fonte de inspiração para sua peça “Peter Pan”.

“Em Busca da Terra do Nunca”, dirigido por Marc Foster, tem roteiro de David Magee que se baseou na peça teatral de Allan Knee, “O Homem que era Peter Pan”.

O filme mostra eventos reais e de ficção que teriam acontecido com o autor (Johnny Depp, esplêndido e contido), adulto com alma de criança e seus novos amigos, com quem se divertia ao criar histórias e vestir fantasias para encená-las.

Os meninos eram órfãos de pai e sentiam prazer com a presença de James, o tio Jim, porque ele inspirava confiança e era divertido. Julie Christie faz a avó dos meninos que era contra essas intimidades.

Na verdade, o pai dos meninos era vivo na época em que a peça foi escrita e só veio a falecer três anos depois da estreia. Há aqui uma licença poética para introduzir o tema da perda de um ente querido.

James, o autor, tinha apenas 7 anos quando viveu uma tragédia. Perdeu seu irmão David que tinha 13 anos. Ele introduz esse tema em “Peter Pan” porque se inspirou em sua própria infância. Não só perdeu o irmão, como viu a mãe afundar numa depressão. E não há menção de um pai que console. Daí a “orfandade” dos meninos Davies.

“Em Busca da Terra do Nunca” então, é uma fábula que ensina como se refugiar num lugar imaginário e belo para esquecer as tristezas da vida. Lá ninguém morre e fica criança para sempre.

Belo e consolador.

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