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A trajetória do Café

A trajetória do café, uma planta originária do continente africano, que foi levado para a Arábia e posteriormente para o Egito e  Turquia. Tendo sido no século XVII, introduzido na Itália e na Inglaterra. O café era consumido por diversas classes sociais, principalmente por sábios e intelectuais. Logo depois passou a ser consumido em vários outros países europeus, chegando à França, Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holan­da tendo conquistado então um espaço privilegiado.

Seguindo sua marcha de expansão pelo mundo, o café chegou às Américas e nos Estados Unidos mas foram os holandeses que disseminaram o café pelo planeta. Inicialmente transformaram suas colônias nas Índias Orientais em grandes plantações de café e junto com franceses e portugueses transportaram o café para a América. Na Guiana Holandesa (hoje Suriname), foram introduzidas mudas do Jardim Botânico de Amsterdã e todo o continente. Com um universo abrangente, de propriedades medicinais até a arte de prever o futuro através da borra do café, sua atmosfera é composta por peculiaridades que circundam e enriquecem sua biografia.

O Sargento Militar Francisco de Mello Palheta foi enviado à França com o objetivo de transportar para o Brasil e Portugal, para a cidade de Belém (Pará), em 1727 algumas sementes e plantas ainda pequenas, com ajuda de uma Baronesa, sua missão foi cumprida com êxito. No Brasil, o desenvolvimento do café confunde-se com a própria história do País devido a sua grande importância econômica e social, e representa hoje cerca de 15% do PIB nacional. No mundo, são consumidas anualmente aproximadamente sete milhões de xícaras de café.

E surge então uma nova abordagem do cultivo do grão, que vem se consolidando no Brasil, a Indicação Geográfica. A Região do Cerrado Mineiro foi a pioneira na conquista dessa proteção de território e produto, que no Brasil se divide em duas modalidades: Indicação de Procedência e Denominação de Origem. Em 2005, o Cerrado Mineiro conquistou a Indicação de Procedência e em 2013 o status máximo, a Denominação de Origem, que inclui 55 municípios, 4.500 produtores e uma produção anual média de 6 milhões de sacas de 60 quilos de café.

Incentivados pelo Cerrado Mineiro outras regiões cafeeiras do Brasil já conquistaram o primeiro passo, a Indicação de Procedência: Alta Mogiana e Região de Pinhal em São Paulo; Norte Pioneiro do Paraná e Mantiqueira de Minas, respectivamente no Paraná e em Minas Gerais. Outras regiões estão em processo de desenvolvimento de suas IGS; Região da Chapada Diamantina na Bahia, Oeste da Bahia; Campos das Vertentes em Minas Gerais; Matas de Minas também em Minas Gerais.

O processo busca demarcar a origem do café e o local de onde ele vem. Assim como faz o presunto de parma na Itália, o Champagne na França, o vinho do Porto em Portugal. Buscando uma oportunidade dentro desse segmento com o objetivo de valorizar a produção local e a alta qualidade do café e toda a região onde ele é produzido, cooperativas se organizaram para criar um selo de rastreabilidade que indica o local e a forma que o grão de café é produzido e cultivado.

Para Francisco Sérgio de Assis, Presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, entidade gestora da Denominação Região do Cerrado Mineiro, o café gera riqueza onde está instalado. “O Brasil vem se tornando grande protagonista do mercado de café, somos o maior produtor e exportador do mundo, e ocupamos o segundo lugar quando o assunto é consumo. A organização das regiões em Indicação de Procedência e Denominação de Origem vem incentivando cada vez mais aos produtores a melhorarem a qualidade final dos seus cafés e isso tem gerado o reconhecimento do Brasil como origem de cafés de alta qualidade. Temos muito orgulho do trabalho que estamos desempenhando no Cerrado Mineiro que hoje já representa cerca de 12% da produção nacional e 25% da produção estadual”– finalizou Assis.

Assis explicou ainda como a Denominação de Origem tem se mostrado uma grande ferramenta de diferenciação tanto para produtores como consumidores. “A Denominação de Origem traz inúmeros benefícios para o produtor credenciado, além do uso marca, dispões de recursos diferenciados oferecidos pelas associações e instituições. O controle da rastreabilidade é um ponto fundamental, dentro do Selo de Origem e Qualidade, onde é possível rastrear todo o histórico do produtor, afinal, no atual mercado alimentício o conhecimento sobre a origem do produto é cada vez mais relevante. Esse sistema inovador utilizado pelas cooperativas filiadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado passa pelo uso do QR Code, presente no Selo de Origem e Qualidade. Através desta ferramenta o consumidor pode ter acesso ao nome do produtor, município, variedade e característica sensoriais que aproximam o consumidor da produção, diferenciados ainda por dois pontos: qualidade e produção cada vez mais sustentável. A Denominação de Origem atesta ainda que, o produto possui alto padrão de qualidade levando em consideração o respeito meio ambiente e as leis trabalhistas, tão importantes para os novos consumidores” – finalizou o presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

Aliado a essa tendência, produtores organizam eventos para levar o consumidor a viver uma experiência gastronômica aliada a uma imersão sensorial. Desde os tempos em que o café era a bebida dos sábios até passar por diversos procedimentos onde a tecnologia foi fator primordial e decisivo para sua consolidação mercadológica, vivemos hoje mais um divisor de águas para a história do fruto.

Por Miriam Rezende Gonçalves , Jornalista MTB 0059811/SP

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