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Resenha de Cinema por Eleonora Rosset

A balada de Busster Scrugs, direção Joel e Ethan Coen

Um conjunto de seis histórias que se passam no Velho Oeste, com cenários grandiosos por onde circulam os homens à procura de dar sentido à sua existência, é o novo filme dos irmãos Coen. Foi premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes.

Um livro verde, com o desenho de uma arvore morta e uma caveira de boi na capa, insinua o que vamos ver. São tempos de violência e a vida humana está sempre em perigo. Como os Coen são críticos irônicos, podemos começar a pensar que o lugar e o tempo escolhidos, de intensa selvageria, fazem uma alusão ao mundo como ele sempre foi e ainda é.

Não por acaso, o livro se abre com o desenho de um cemitério, antes da ilustração da primeira história, que dá nome ao filme,

Vestido de branco (Tim Blake Nelson), ele canta montado em seu cavalo. Ele se acha o máximo. Chega às raias da arrogância. Invencível com uma arma na mão. Não se dá conta de que vai encontrar o que procura.

Na segunda história, James Franco faz o cowboy que acha que vai ser fácil roubar aquela agência de Banco caindo aos pedaços, no meio do nada e com aquele gerente velhinho. Ele não sabe o que está para vir. Um arrogante distraído.

Na terceira história Liam Neeson vai de cidadezinha em cidadezinha apresentando um ator (Harry Melling) raro. Até o dia que a cobiça inspira uma troca e um crime.

Já na quarta história, um vale intocado e belo, cortado por um rio de águas cristalinas, vai padecer com a visita de um garimpeiro (Tom Waits) em busca de ouro. Basta aparecer um homem para tudo se complicar. A cobiça é má conselheira.

Na quinta, Zoe Kozan é uma moça sem família, numa caravana para o oeste que vai ter que tomar uma decisão difícil.

E o conjunto se fecha com “Mortal Remains”, a pitada de horror, com uma viagem de diligência que começa ao por do sol, caminhando em direção à noite e um destino certo.

As paisagens são espetaculares. O fotógrafo francês Bruno Delbonnel capta com talento o esplendor das Montanhas Rochosas na neve, a beleza das pradarias imensas onde pousam rochas enormes, os desfiladeiros estreitos e os vales verdejantes. Um apelo estético ao bom senso para a preservação da natureza e a saúde do planeta.

Quem conhece os Coen (“Fargo”, “Um Homem Sério”, “Bravura Indômita”, “Onde os Fracos não tem Vez”), sabem que eles estudam a natureza humana e não pregam moral mas mostram atos e consequências desses atos, com um humor peculiar.

Graças à Netflix podemos ver esse grande filme sem sair de casa. E revê-lo quantas vezes você quiser.

 

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