Gente & Comportamento

A fantástica história da carmelitana que chegou ao topo da diplomacia brasileira

Glivânia Maria de Oliveira, 53 anos, diplomata, filha de João Teófilo de Oliveira e Zilda Lara de Oliveira, de origem humilde fez dos estudos seu grande aliado

1) Conte-nos um pouco sobre sua infância. O que você diria que te marcou durante esse período?

Nascida em área rural, na Fazenda Reserva, próximo a Douradoquara, em 19 de janeiro de 1962. Filha mais velha de Zilda Lara de Oliveira e João Téofilo de Oliveira, ambos também nascidos e criados em região próxima a Monte Carmelo, e irmã de Marcos Antônio de Oliveira e Fábio Henrique de Oliveira.

Angélica (esposa do pediatra Dr. Rui), sua filha Juliana (que, um pouco mais velha, era para mim verdadeira ‘role-model’, ainda mais por ter viajado aos EUA, numa época em que isso era raro, e que meu desejo de conhecer outros lugares era imenso). Comecei essas aulas aos 8 anos de idade. Queria ‘estar preparada’ para quando o momento chegasse. É importante notar que, dada a realidade sócioeconômica de minha família, esses sonhos pareciam um pouco fora de contexto. Como disse, meu pai era pequeno agricultor e, durante um tempo, complementava a renda trabalhando como taxista. Minha mãe era costureira e já deixou muitas carmelitanas ainda mais bonitas e bem vestidas.   Era (e é, graças a Deus) um exemplo de mulher trabalhadora e guerreira, dedicando sua vida e todas as suas energias aos filhos. Sempre foi meu maior exemplo. Meu querido pai, que já não está mais conosco, era homem trabalhador e honesto, também um exemplo de fundamental importância na nossa formação.

2) E sua adolescência e juventude, quais são suas principais lembranças?

Morei em Monte Carmelo até os 16 anos de idade, quando fui para Brasília para estudar e preparar-me para a universidade. Durante um ano morei na cidade satélite de Taguatinga com minha querida avó materna. Meus pais e irmãos ficaram em Monte Carmelo mais um ano. A mudança deles para Brasília veio com a desapropriação de terras para a construção da barragem.  Nos primeiros anos de Brasília, morria de saudades de Monte Carmelo. Adorava as festas, o carnaval, os bailes no Clube dos Cem,

inesquecíveis… Como outras meninas da minha idade, comecei com os namoricos e com as festinhas. Sentia saudades das amigas de adolescência e dos embalos de sábado a noite. Havia um lugar em Monte Carmelo onde todos se encontravam – a chamada Churrascaria – e John Travolta reinava…. Eu adorava aquela festança toda, embora meu pai não gostasse nem um pouco. Como disse, meus irmãos ‘me protegiam’ e, quando a coisa apertava, iam buscar-me na Churrascaria… Sr. João já estava à minha procura… Conclui o secundário em Brasília, entrei na UNB (Relações Internacionais) e, logo depois, ausentei-me por cerca de 8 meses. Vim morar nos Estados Unidos, em uma cidade próxima a Boston. Como disse, o sonho vinha de longe e consegui uma bolsa em um programa de intercâmbio. Não foi fácil, mas foi fundamental na construção do meu caminho profissional. Aprendi inglês e retornei a Brasília para assumir vaga no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (concurso público) e, um ano depois, tornei-me professora da Casa Thomas Jefferson. Dois empregos e a universidade. Tudo valeu a pena… Concluí o curso de Relações Internacionais na UNB e ingressei no Instituto Rio Branco. Cursei diplomacia em 1985 e 1986.  Tomei posse como diplomata em seguida. Portanto, são praticamente trinta anos na carreira diplomática.

3) Qual seu maior orgulho?

Meu maior orgulho é, definitivamente, minha filha Laura, que completa 18 anos em fevereiro próximo. Ela está comigo nos EUA e já ingressou na universidade (Boston University). Grande companheira e amiga, é dotada de uma sensibilidade, maturidade e grandeza como ser humano que só me trazem admiração e muito gratidão à vida…  Tenho também muitos motivos para agradecer pela família que tenho:  meu marido, Jairton, e seus três filhos (Gabriel, Matheus e Isabela), que vieram para enriquecer e alegrar minha vida e a de Laura. Jairton é funcionário dos Correios e Telégrafos e vive na ponte áerea Basília- Boston. Temos nossas carreiras e procuramos compatibilizá-las da melhor forma possível. Vou ao Brasil 2 ou 3 vezes ao ano e espero, em uma dessas oportunidades, rever Monte Carmelo, meu berço, minha origem, minhas raízes mais profundas…

4) Fale um pouco sobre seu trabalho. Há quantos anos atua na área da diplomacia?

Tenho quase 30 anos no serviço diplomático brasileiro. Sempre gostei muito do que faço e sou muito agradecida pelos frutos que colhi em minha trajetória profissional.  Em julho de 2013, alcancei o último grau de nossa carreira, que é estruturada em seis níveis. Sou hoje Embaixadora e exerço a função de Cônsul-Geral do Brasil em Boston. Tenho uma vida movimentada, com muitos desafios e realizações. Além de coordenar uma equipe com mais de 30 funcionários, interajo com a comunidade brasileira nesta região dos EUA (estimativa de 300 a 350 mil pessoas na minha área de jurisdição), com as autoridades locais, universidades, o

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