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“Gastar dinheiro com o espaço é justamente para resolver problemas da Terra”, diz Di Pippo

Em seu segundo dia de atividades no Brasil, Diretora do UNOOSA conhece estruturas do programa espacial na Capital Federal

Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Gabrielli
Edição: Agência Força Aérea – Revisão: Major Alle

Após conhecer as instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), a Diretora do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) cumpriu, nesta quarta-feira (01/08), uma agenda de visitas e eventos na Capital Federal, em seu segundo dia no Brasil. Além de conhecer estruturas importantes ao Programa Espacial Brasileiro, como a sala de onde é feito o controle do satélite geoestacionário brasileiro, Simonetta Di Pippo foi recebida pelo Comandante da Aeronáutica. Ela também proferiu uma palestra em que destacou o papel da área espacial no desenvolvimento das nações e na resolução de problemas da humanidade. “Muitas vezes nós ouvimos: por que gastar dinheiro no espaço se temos tantos problemas aqui? Gastar dinheiro com o espaço é justamente para resolver os problemas da Terra”, disse ela.

Em audiência com o Comandante, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, o principal assunto tratado foi referente ao envio de uma representação brasileira para atuar junto ao UNOOSA, com o intuito de estreitar laços e facilitar a cooperação, o que deve acontecer já em 2019. “Queremos colaborar com iniciativas internacionais para a área espacial, de uso pacífico, e acreditamos que sua visita e a aproximação com o UNOOSA são essenciais”, disse ele. O Tenente-Brigadeiro também destacou que o programa brasileiro é todo dual, ou seja, pensado para que os engenhos espaciais tenham usos civis e militares ao mesmo tempo – o que já acontece, por exemplo, com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Di Pippo defende que o uso do espaço precisa acontecer em consonância com outras temáticas de interesse humano e social e que seus benefícios precisam ser distribuídos de forma equitativa, até mesmo entre aquelas nações que não têm nenhum satélite em órbita. Em sua palestra, realizada nas dependências do prédio do Comando da Aeronáutica, Simonetta Di Pippo explicou que a função do UNOOSA é ser um facilitador, no sentido de colocar não só governos, mas empresas e instituições de ensino e pesquisa em contato. Também destacou que o cenário espacial evoluiu muito desde que o primeiro satélite foi colocado em órbita, em 1957. “Hoje, há mais de 70 agências espaciais no mundo e em torno de 1.800 satélites em operação”, disse ela.

A representante da ONU disse que a organização definiu uma agenda com 17 objetivos globais para o desenvolvimento sustentável, a serem cumpridos até 2030, e que o UNOOSA também se compromete com essas questões, relacionadas, por exemplo, à educação de qualidade, à igualdade de gêneros e à promoção de parcerias para pensar soluções conjuntas. Di Pippo citou como exemplo um projeto de cooperação espacial, facilitado pelo Escritório, entre o Japão e o Quênia para a construção e lançamento de um cubesat – satélite de pequeno porte, em forma de cubo, voltado, principalmente, a pesquisas espaciais. Com a parceria, o Quênia teve seu primeiro satélite em órbita e tomou a decisão de iniciar sua própria agência espacial. “Foi o primeiro para o desenvolvimento”, afirmou.

Após a palestra, Di Pippo passou pela Agência Espacial Brasileira (AEB), onde foi recebida pelo Presidente, José Raimundo Coelho, reunido com todo o efetivo. Ela também visitou o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) – organização da Força Aérea que controla, por meio do Centro de Operações Espaciais (COPE), a operação do SGDC, e se prepara para encabeçar a captação de imagens de satélites de órbita baixa. A visitação incluiu as obras do novo prédio do COPE, que estão em fase de finalização.

O Comandante do COMAE, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino, que recebeu a visitante, explicou que o Brasil tem trabalhado para reunir imagens satelitais da superfície terrestre e prover a todos os órgãos que necessitarem, diminuindo os custos. As imagens vão ajudar no desenvolvimento urbano, na agricultura, em fiscalizações ambientais, entre outros. Ele também reforçou a preocupação do país em trabalhar em conjunto com outras nações. “É preciso pensar não como um país isolado, mas como um continente, abrangendo toda a América do Sul. Podemos nos desenvolver juntos”, disse.

Nesta quinta-feira (02/08), Di Pippo estará em São José dos Campos (SP), para conhecer o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Fotos: Sargento Bianca Viol / CECOMSAER

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