Agronegócio

Safrinha: agricultores se antecipam à falta de chuva e minimizam impactos

Com manejo adequado, produtor mineiro conseguiu até 80% de lavoura garantida

A instabilidade climática é o principal desafio no cultivo de milho safrinha na região Sudeste, defende o produtor Ernando José Mendes Junior, da cidade de Unaí (MG). Há aproximadamente duas semanas, o agricultor convive com a falta de chuva em sua propriedade, na qual 300 hectares estão destinados à cultura nesta temporada. De acordo com ele, o grande gargalo é o plantio de milho dentro de uma janela favorável.

 Para minimizar os impactos causados pelo estresse hídrico que a planta está submetida nesta época e favorecer o desenvolvimento do cultivo, Junior utiliza soluções naturais ao longo do ciclo à base de nutrientes como potássio e cobre complexados por aminoácidos. “Cada produto tem suas especificações, então com um tratamento correto aliado a um plantio bem feito, já temos de 50% a 80% da lavoura garantida”, afirma o produtor.

 Mesmo diante do cenário de falta de chuva, Junior observa que sua lavoura está em melhores condições se comparada a outras. “A planta está sentindo menos, isso é o conjunto da obra: um tratamento e um manejo bem feitos, além da variedade de sementes. Com certeza o produto aplicado na hora certa permite entregar o benefício que ele se propõe”, conta. Segundo o agricultor, essa complementação de nutrientes faz com que a planta consiga alcançar um resultado positivo ao final. “Funciona igual ao ser humano: ao ser alimentado ele fica forte e consegue trabalhar”, destaca.

 Para o engenheiro agrônomo Fransérgio Batista, gerente técnico da Alltech Crop Science, o indicado é sempre o tratamento preventivo. “Uma das principais estratégias é estimular o crescimento da planta na fase vegetativa para que consiga ter maior diâmetro de colmo”, explica. De acordo com o especialista, pesquisas mostram que a reserva de fotoassimilados, acumulada no colmo, pode contribuir em até 44% no enchimento do grão. “É como se o produtor tivesse feito um ‘seguro’, então quando acontece o estresse, a planta direciona essa reserva que acumulou para o grão. Dessa maneira, o produtor terá impactos bem menos significativos”.

 Quando essa antecipação ao problema não ocorre é preciso remediar. Diante disso, Batista explica que a planta diminui significativamente a sua fotossíntese e, consequentemente, o seu metabolismo. “O uso de aminoácidos é a melhor ferramenta que o produtor pode ter nesse cenário. É sabido que os aminoácidos têm um efeito significativo no aumento do metabolismo vegetal, principalmente a prolina, conhecida como o aminoácido antiestresse hídrico. O uso de nutrientes como o cobre, manganês e o magnésio também podem auxiliar em momentos como este, uma vez que participam de processos importantes da fotossíntese. Já a presença do nutriente potássio é essencial sob este tipo de estresse, uma vez que ele é o principal nutriente envolvido na regulação de abertura e fechamento de estômatos.” finaliza.

 

Deixe uma resposta