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Letras e Expressões por Marcela Dornelas

O nascimento de vênus
Estava em alto mar
Não sei como fui parar ali,
só sei que ali não dava pra ficar.
Tem algo maior que movimenta.
Imensidão que só acolhe fluxo,
nem pensar em fazer morada…
Nadava sozinha rumo ao nada,
Meu olhar delirante se perdera
Já não podia avistar areia.
Ondas gigantescas se formavam
Era noite clara de lua cheia e
aquela imagem encantadora
vista de baixo era só desalento.
Meu corpo estremecia em agonia.
Desnorteada, não sei como,
virava pra frente e nadava
o mais rápido que podia.
Pequenina, leve, sem complexos
acuada diante daquela força toda
Meu coração estava partido,
antes mesmo da onda se quebrar.
Desde então eu era muitas.
Não sei o que houve,
foi algo de dentro que me abismou
Cavou cavidade funda em mim
e passei a ver com o corpo todo
Passou tempo o bastante,
o estraçalhamento não viera
olhei para trás novamente,
e lá estava outra onda a se levantar.
Outra onda daquele porte
lançava-me á fantasia da fatalidade
Dessa vez eu não escaparia da fúria da vida
Mais uma vez nadei desnorteada
com braçadas desajeitadas
tentando fugir da aniquilação.
Mais uma vez a onda caiu majestosa
e a cada queda mais impulso me dava.
Quando me dei conta estava a beira da praia
Estava nua de peito aberto
o mar havia me parido à terra
Não saber mais nada,
resgatou minha inocência perdida.
Desde que aprendi a nadar
o nada mais que nunca me importava
e me exportava e me recolhia e me expandia.
Perguntei maravilhada
que lugar era aquele em voz alta:
“É a casa do poeta”
Ouvi uma voz a surrar.

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