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Uma entrevista exclusiva com o Padre Olivar

Uma entrevista exclusiva com o Padre Olivar

A equipe do Expresso fez uma entrevista com o Padre Olivar Constantino Peres, 48 anos, responsável pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo da cidade de Monte Carmelo.

1 – Qual é o maior desafio que o senhor enfrenta na paróquia?
Quando ouço dizer em desafios, lembro que Jesus carregou a cruz no caminho do calvário. Foi nela pregado e nela padeceu. No entanto, ao terceiro dia ressuscitou, saindo vitorioso. Ou seja, enfrentou os desafios e venceu. Anunciar Jesus Cristo aos jovens é um desafio que teremos de encarar como missão permanente na Paróquia. Outro desafio é ser uma Igreja em saída, como nos pede o Papa Francisco, e ao mesmo tempo ser acolhedora de todos os que dela se aproximam. Não fazer acepção de pessoas e convidá-las ao seguimento e obediência a Jesus.

2 – Acredita em Milagres?
Os milagres são descritos em muitas passagens do evangelho. São ações de Deus inexplicáveis, instantâneas e duradouras. Jesus os realizou provando sua Divindade e para ensinar a realidade plena da salvação. Por exemplo, quando Ele cheio de compaixão cura um enfermo, é para ensinar que a doença é vencida e na Glória ela não existirá. Quando Ele ressuscita Lázaro, é para ensinar que Deus tem poder sobre a morte e que também ela já foi vencida. Pela ressurreição Jesus continua vivo e operando milagres, revelando-nos seu poder salvador. Ele usa da Igreja como instrumento para sua ação. A Igreja é sinal visível de Jesus. Por isso o relato de tantos milagres que as pessoas experimentam participando da vida comunitária.

3 – Como descobriu a Vocação?
A vocação sacerdotal no dizer de São João Paulo II é um Dom e um Mistério. Dom porque é dado por Deus: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça” (Jo 15, 16). Mistério porque é vontade Divina que escapa à nossa compreensão. Por que eu e não outro com maior dom e capacidade? É claro que Deus usa das circunstâncias. Elas fazem parte do processo vocacional. Assim a família com prática católica e a comunidade cristã onde cresci, com o exemplo do Sacerdote, foram importantes para a minha resposta diante do chamado de Deus.

4 – O que o senhor acha que a cidade de Monte Carmelo precisa?
Toda cidade tem seus desafios e não pode estacionar. Precisa sempre desenvolver, organizar e descobrir caminhos. Uma premissa fundamental é que os cidadãos têm os mesmos direitos e deveres. O governo deve ser para todos e ao mesmo tempo todos devem colaborar construindo uma cidade melhor. É claro que é preciso cuidar com amor da saúde, da educação e das oportunidades de emprego para que todos tenham sua dignidade respeitada.

5 – O que o senhor diz sobre o Papa Francisco?
O Papa Francisco encanta o mundo inteiro com o seu exemplo. Ele vive simples e pobre, é acolhedor, vai ao encontro das pessoas, confia na oração, ama e defende a natureza, não se cala diante das injustiças, anuncia a paz. Ele proclamou o Ano Santo da Misericórdia que estamos vivenciando – 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016. – Um gesto do Papa Francisco exemplifica seu testemunho. O sacramento da confissão é a expressão da misericórdia de Deus que perdoa sempre. Antes de atender confissões na Basílica de São Pedro ele foi o primeiro a se confessar. São palavras do Papa Francisco: “A Igreja não está no mundo para condenar, mas para promover o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias. Sair e ir à procura das pessoas onde elas se encontram, onde sofrem, onde esperam”.

Aproveito o fim da entrevista para perguntar sobre sua vida pessoal e profissional. Discreto, esse mineiro da cidade de Guimarânia, viveu até os 11 anos na área rural. Entrou para o seminário aos 15 anos, e aos 26 foi ordenado sacerdote, servindo a comunidade com a celebração das missas e demais sacramentos e orientando a comunidade. “Ser padre não é uma profissão. É uma vocação. Ele faz isso movido pelo amor”. Carismático, ele se auto define como uma pessoa tímida, de gostos simples e caráter acolhedor. Os momentos de lazer são dedicados a família, aos pais, Lázara Ana e João Peres, e os quatro irmãos com suas famílias.

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