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Acidente na base espacial de Alcântara

Base espacial de Alcântara no estado do Maranhão pode ter sido alvo de sabotagem
Por Miriam Rezende Gonçalves, jornalista, MTB/SP

Segundo a análise técnica feita pelo renomado Henrique Emiliano Leite, o acidente com a ignição do VLS-1 V03, que resultou na morte de 21 cientistas brasileiros, pode ter sido causado em decorrência de falhas no projeto do Conjunto de Iniciação dos Ignitores, havendo até mesmo a possibilidade de uma sabotagem.

O relatório expõe que o Circuito de Segurança e Atuação de Solo (CSAS) do VLS-1 V03 que encontrava-se numa suposta condição de SEGURANÇA, na realidade não oferecia SEGURANÇA alguma, devido as falhas técnicas descritas abaixo:

a – O “Safe and Arm Device” do CSAS não possuía as barreiras mecânicas de segurança exigidas pelas normas em complemento às barreiras elétricas de segurança;

b – Os relés biestáveis não funcionaram como barreiras elétricas de segurança devido ao fato dos mesmos terem servido apenas para incluir os detonadores e seus respectivos fios no “loop” de terra;

c – A ausência de blindagem dos fios torcidos dos detonadores dos propulsores do primeiro estágio colaborou com a indução de eletricidade estática nos mesmos;

d – A ausência do aterramento dos curto-circuitos dos fios dos detonadores na estrutura do Veículo, que teria retirado os detonadores do “loop” de terra, colaborou com a acumulação de eletricidade estática nos mesmos e a falha na organização, a falha no cumprimento do cronograma de realização das tarefas ou a ocorrência de sabotagem durante o procedimento da conexão antecipada dos detonadores AA, AB, DD e DC, efetuada às 11:30 do dia 22 de agosto de 2003, colocaram o CSAS na condição ARMADO, na presença dos trabalhadores que realizavam as suas respectivas tarefas de preparação e montagem daquele Veículo Lançador de Satélites sem saberem do risco de ignição ao qual estavam expostos.

Logo, uma fonte de energia elétrica desconhecida gerou uma diferença de potencial entre os dois aterramentos do “loop” de terra no qual se encontrava o CSAS, exatamente no intervalo de tempo delimitado pelos quadros 26 e 27, com energia suficiente para promover a iniciação de um dos detonadores e a ignição do propulsor A, ocasionando o acidente catastrófico que matou vários funcionários do Instituto de Atividades Espaciais do Centro Técnico Aeroespacial pelo fato deles não terem sido avisados do perigo existente e do risco ao qual estavam sujeitos decorrentes da conexão antecipada dos quatro detonadores acima citados.

Além disso, o governo brasileiro realizou uma investigação contra agentes secretos franceses, suspeitos de estarem envolvidos em sabotagem na base de lançamentos de satélites de Alcântara – Maranhão. A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) também monitorou órgãos ligados à embaixada da França no Brasil, com objetivo de proteger o setor espacial brasileiro. A ABIN ainda cita uma “rede de espionagem” da DGSE (Direção-Geral de Segurança Externa, a agência de inteligência francesa), com atividades no Maranhão e em São Paulo.

A equipe do Expresso do cerrado conversou com o engenheiro Henrique Emiliano, autoridade no assunto, e através dele tivemos acesso ao relatório. Diante de todas evid~encias que constam ali fica a pergunta: “Onde estão as imagens da câmera quatro?”

base de alcantara

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