Cidade & Região

Contaminação por arsênio na cidade de Paracatu no processo de exploração do ouro na região

As consequências deste metal  no organismo humano,  instigou debate  entre cientistas  Brasileiros e mundiais. Para alguns, os efeitos do arsênio liberado na mineração em Paracatu é responsável por casos de câncer na cidade. Outros dizem que a concentração do produto é baixa e não causa risco à saúde.

Há 20 anos uma mesma empresa explora a mineração e a economia acaba girando nas rochas da cidade do ouro, como é conhecida, por contar com a maior mina do mundo a céu aberto. Em 2007, a empresa iniciou um projeto para elevar a capacidade de produção da mina.

Com a possibilidade de expansão, a mineradora criou mais espaço para a exploração de ouro. O problema é que, o que ficava a quilômetros de distância praticamente chegou aos quintais das casas de um bairro na periferia da cidade. Todos os dias, segundo os moradores, por volta das 15h há a detonação de minério. Além do barulho, segundo eles, o vento leva poeira e algumas casas não estariam resistindo a trepidação do solo.

Sérgio Ulhoa Dani,  médico do Departamento de Oncologia Médica do Hospital da Universidade de Berna, na Suíça,  é um dos principais críticos e estudiosos , que pesquisa sobre a relação da contaminação por arsênio e a intoxicação crônica da população, desde 2007.

Segundo ele, a população de Paracatu está exposta 24 horas por dia, 365 dias por ano e isso é mais do que suficiente para caracterizar uma intoxicação crônica. “Tem pessoas que vivem a vida inteira em Paracatu, e desde 1987, quando começou a mineração, estão expostas a poeira da mineração. Então é uma exposição crônica ao longo de décadas e isso é muito grave”, disse.

Ainda de acordo com o estudioso, todo cidadão da cidade tem o direito de ser examinado. “Eles não são culpados de serem intoxicados e mortos cronicamente. Eles têm o direito de serem examinados e o diagnóstico é um diagnóstico feito por médicos, não por biólogos. Todos aqueles indivíduos que tiverem sinais de intoxicação crônica por arsênio, ou seja, arsenicose devem ser tratados e devem ser monitorados através de exames clínicos laboratoriais pelo resto da vida, porque o arsênio não sai do corpo”, relatou.

Sérgio acrescentou que estas pessoas ainda têm o direito de serem indenizadas. “O que a mineradora gera de dinheiro para a cidade representa, talvez, nem um centésimo do prejuízo que ela está causando”, opinou.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Luiz Adelmo, confirmou o poder de contaminação do arsênio. Ele ressaltou que, embora o composto faça bem em doses mínimas, é extremamente venenoso acima de determinadas concentrações.

O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, realizou uma pesquisa encomendada pela Prefeitura de Paracatu. Os estudos foram entre março de 2011 e dezembro de 2013.

No relatório de 78 páginas, o Cetem concluiu que as concentrações de arsênio nas águas de abastecimento doméstico e no ar podem ser consideradas baixas. Exames em amostras de sangue, urina e cabelo, também revelaram, segundo o órgão, teores menores ou iguais a níveis considerados referenciais de normalidade ou até de populações não expostas, em vários países.

O Cetem também não encontrou índices que mostram taxas de mortalidade por tipos de câncer com associação à exposição ao arsênio.

Um professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) coordenou um estudo independente sobre a suposta contaminação do ar por arsênio na cidade e também concluiu que os níveis do metal pesado no ambiente não são suficientes para causar danos à saúde da população.

No último dia 29, houve uma audiência  pública em Paracatu na Câmara Municipal, com objetivo de esclarecer informações sobre um estudo feito pelo professor da Universidade Federal de Lavras, que trata sobre os  possíveis riscos de contaminação e fala das distorções divulgadas a respeito do assunto.

Fonte: El Pais

Por Débora G. Chagas

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